13 setembro 2013

Blog da depressão: a fluoxetina em minha vida.

Olá!

Bem, acho que todo mundo já pelo menos ouviu falar do "Prozac", ou visto o filme "Geração Prozac" ou conhece alguém que já teve ou está com depressão. Ou tem ou já teve...

O cloridrato de fluoxetina é a substância do famoso (e caríssimo) Prozac, e vim aqui escrever algumas considerações sobre o tratamento com esse antidepressivo. Fiquei meio reticente em escrever sobre isso não só pela exposição que causa, mas porque deprê é uma das últimas coisas que gostaríamos de ler por aí. Mas depois pensei que talvez pudesse ajudar algumas pessoas que também passam pelo mesmo "probleminha".




Enfim...
Tudo começou há alguns anos comecei a ficar perturbada (novidade!), pois estava em outra cidade, outro estado para concluir uma pós-graduação e percebi que minha vontade definhava. Vontade de tudo, a começar levantar da cama. E aí veio a consciência pesada: como assim, gastei a maior grana para estudar, ter minha pós-graduação e agora perco o ânimo, o gás???

Então procurei uma psiquiatra que conheci no curso (fiz Musicoterapia). Naquela época eu realmente estava muito mal com essa situação, pensando até em poupar o mundo da minha insignificante presença (se é que me entendem). Ela me passou, em primeiro lugar, a fluoxetina. E eu sabia que o efeito dela não era mágico, que demorava pelo menos uns 20 dias. E não aguentei "esperar" os efeitos, parti pra outro medicamento que me fez surtar de vez - mas isso é um papo pra outra hora, talvez.

Então... Ultimamente aquele desânimo e tudo voltou com força, e o sentimento de culpa também. Por mais que digamos que não, há a chamada "pressão da sociedade". Com 33 anos seria "normal" ter constituído família, ter emprego estável, crescer na carreira, essas coisas. Mas não é bem assim que as coisas funcionam, nem sempre nos encaixamos nos parâmetros de normalidade.
Refletindo um pouco sobre minha vida, me dei conta de que com o passar dos anos, perdi a paixão por várias coisas que gostava no passado. E a cada ano parece que me desinteressava mais por tudo, chegando a me sentir uma morta viva.

Não foi um processo depressivo que aconteceu de uma hora pra outra. Veio num "crescendo" esses anos todos. E aí calculei com os meus botões que era hora - finalmente - de eliminar isso da minha vida - e ter uma vida. Exemplo: eu adorava dirigir, me dava uma sensação de liberdade. Hoje em dia só dirijo por extrema necessidade e sempre me dá uma ansiedade monstra antes de assumir a direção. Você deixa de fazer as coisas que sempre gostou porque não te dão mais prazer. E o mau humor é constante, tinha dias que nem eu me aguentava =x

Pois bem. Agora entrei no 2º mês de tratamento e algumas mudanças aconteceram. Pra melhor, ainda bem. Tive uma fase de ter de regular o sono, normal. Para quem quase não dormia direito, isso foi bom. Também parei de ter pesadelos durante a madrugada (um dos motivo que não me deixavam dormir bem à noite). Agora posso dizer que tenho um sono normal.


Como a ansiedade diminuiu um pouco, também parei de comer compulsivamente, e fico de olho pra ver se o medicamento não vai me dar anorexia (como da primeira vez) - embora isso fosse bom a essa altura do campeonato, hahaha. Preciso perder 20 quilos pra ficar num peso saudável pra minha altura. Bom, já é um começo!

Link da imagem - é um vídeo do Youtube, é engraçadinho, vejam aqui!

Outra coisa que me instigou foi a ausência de mau humor. Gente... Passei praticamente minha vida toda sendo o mau humor em pessoa, e de repente "puff". Some. É uma sensação literalmente nova! Antes eu explodia por qualquer coisinha e queria matar todo mundo (sabem como é, né?) e agora dou risada com as coisas que antigamente me deixariam fula da vida e não tenho mais aquela onda de ansiedade quando leio algo ofensivo, por exemplo.

Hoje acordei com um insight muito... Impensável. Não sei se pode ser efeito da medicação, mas outra hora faço um texto sobre isso - já que este ficou enorme. Espero que tenham paciência para ler.

Até mais e...

16 comentários:

  1. Poxa, fico feliz em saber que está melhor! Que venham mais melhoras pela frente! E dormir bem é super importante pra saúde, mais do que a gente imagina. Quero saber desses novos insights depois ;)

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  2. Amei o seu post! :)
    Parabéns pela perseverança!

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    1. Chega uma hora que não dá mais pra apenas "suportar" a vida, é preciso vivê-la :)
      Obrigada pela visita.

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  3. Ai, que maravilha! Quantas notícias boas e saber que vc está melhorando é muito bom. Fico feliz que os resultados estejam sendo tão bons.
    Apesar da exposição em um blog público, achei legal vc contar a sua estória, seu processo de depressão (pq como vc escreveu, não começa de um dia para o outro) e também contar as melhoras para quem está no mesmo barco que vc e não vê saída na doença.

    Parabéns novamente!
    Espero que daqui para frente vc consiga colocar a vida nos eixos. Obs: Nos SEUS eixos e não aqueles que as pessoas - eles, aqueles, os outros, a sociedade, os "amigos", a família - te impõe. Sucesso e força aí, hein? Guenta firme!!!

    Beijinhos.

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    1. Força para os seus familiares também, que passam pelo mesmo problema.
      Valeu ;)

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  4. Nem acredito no que eu li acima!!
    É muito bom saber que está melhorando, e que está "evoluindo para a vida".
    Eu acredito que quando se tem depressão, essa doença se torna controlável a medida que você toma consciência e luta contra ela diariamente! Seja usando medicamento ou não!
    É algo que vai te rondar, mas é você quem precisa dar a volta por cima e dizer "sai pra lá bicha ruim! Já caí uma vez e não cairei novamente"!!
    Não é fácil, mas com o tempo a gente aprende!
    É difícil não se preocupar com a sociedade, mas mais importante que isso é a nossa felicidade, seja seguindo os eixos da sociedade ou lutando contra eles para mostrar que do nosso jeito é que somos feliz!!

    Se cuida Docinho!!
    Beijos e parabéns por mais essa conquista! Continue assim!!


    Blog O dia da Lila

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    1. É, Lila, mas é difícil tomar essa consciência. Tem hora que o mais "fácil" é se entregar e viver em estado vegetativo, mas acho que a vida vai além disso - mesmo que a gente não faça algo de "oh, que super útil pra humanidade". Acho que o mais difícil é encontrar o próprio eixo, sabe? O propósito por estarmos aqui (pirações existenciais, eu sei).
      Bjo e até logo.

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  5. Nossa amei sua postagem, estou vivendo isso. O fluoxetina tira o medo que sinto, mas me faz dormir até as 13h, não sei o q faço para conseguir acordar num horário mais cedo, até pq agora não trabalho, mas quero estagiar e ai não da pra ficar acordando a essa hora. O que vc fez?

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    1. Qual miligrama vc tomava, pq eu vou iniciar com o fluoxetina e meu médico me passou para o horário do almoço e o aprazolam 0,25 a noite. O fluoxetina dá sono? Não sabia

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  6. Nossa, também preciso saber como não dormir tanto com o prozac. Comprei cafeína pura pra tomar, o medico disse que posso usá - la junto com o medicamento, mesmo assim fico com medo dessas misturas.

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  7. Boas tomo Fluoxetina há seis anos .... não faço questão de parar .... tenho dias bons e maus, os bons superam os maus e mais passo a p***** da vida a rir das coisas mais estupidas e nem me preocupo muito com o meu stress .....

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  8. Boas tomo Fluoxetina há seis anos .... não faço questão de parar .... tenho dias bons e maus, os bons superam os maus e mais passo a p***** da vida a rir das coisas mais estupidas e nem me preocupo muito com o meu stress .....

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  9. Obrigada por compartilhar conosco, costumo dizer que vim conhecer a felicidade aos 38 anos quando comecei a tomar a Fluoxetina, no início, tomando 20mg de Fluoxetina por dia, a sensação era de que chuvia flores, tudo ficou uma maravilha, minha convivência com os colegas de trabalho melhorou muito, depois de dois anos, com a dosagem de 40mg por dia, já não me sinto tão bem como no início, estou me sentindo perturbada, sem ânimo algum, sem vontade de fazer qualquer coisa, e tenho meus surtos durante a TPM, do tipo: mandar o marido ir embora sem justa causa, pedir contas no trabalho, etc.Estou em desequilíbrio, mais nada se compara a vida antes do Fluoxetina, não tenho coragem de parar, posso até cometer uma loucura com a minha vida.

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  10. Minha esposa cortou de vez o uso da fluoxetina e vem passando por muitos sintomas de abstinencia, mas segundo ela, cada dia menos.
    Uma coisa que vem ajudando (pelo menos é o que ela diz) foi começar a cozinhar, ela não fazia nada na cozinha. Virou uma nova paixão e pra evitar de engordar e cozinhar só coisas mais gordas achei essa página que até explica muito sobre pessoas que usaram o medicamento para emagrecer.
    O site conta com muitas receitas, cardápios e até dietas.
    Bom, segundo minha esposa está ajudando a focar em outras coisas e ainda estamos comendo melhor e ficando mais fitness.

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